#18 - Rush, Roll the Bones
Mês passado completei 10 anos de Aliança Cultural.
Claro que não é um lugar perfeito, porque nenhum lugar é, mas a Aliança é um baita lugar pra se trabalhar: nunca tive problemas pra receber, sempre me ouviram, até mesmo quando alguma situação precisava de solução. Sempre me senti valorizado.
Eu entrei na Aliança quando saí da Wizard. Muita gente nem sabe que dei aula em Wizard.
Dei aula em duas unidades da Wizard que pertenciam ao mesmo franqueado, e a Wizard merece muito mérito por tudo que conquistou: formatou uma estrutura, uma disciplina, e amplificou isso. Tem um produto e o fez acontecer. É o ideal para algumas pessoas, e não para outras, como tudo na vida. Pra mim, explicações gramaticais fazem parte, mas eu sou professor, então faz parte de mim.
O problema ali era o cara.
Eu entrei em janeiro de 2007. Porém, haveria um mês de treinamento. Depois de uns dois dias de explicações bem bacanas, os dias passaram a ser de estudar os livros e treinar aulas. Sem pagamento ainda. Toda tarde, das 13 às 17, almoçando rápido, pegando ônibus na hora do rush, e o cara ainda ficou "é, não sei se vou te contratar".
Pra piorar tudo, ele me isolou dos outros. Ficavam 4 pessoas em uma sala, treinando umas com as outras, e eu sozinho numa sala. Se eu saísse pra falar com eles, o cara gritava. Aquilo foi péssimo pra minha autoestima, e fiquei me sentindo a pior pessoa do mundo. Ao final do mês, ele ainda disse "vou te contratar como teste, porque você é péssimo, e acho que vou te dispensar antes do Carnaval".
Fiquei três anos e meio, e várias vezes cobri turmas que ninguém queria, professores que ficaram doentes e fui o único a topar dar aula no Flex (que só podia falar com o aluno por 10 minutos, mas tinha uma sala maneira).
E o cara gritava. Putamerda, como ele gritava. Uma assistente dele, quando o ouvia gritar, começava a chorar. E ele falava tudo gritando. Era um abuso moral sistêmico que ele aplicava na escola (tanto que a outra unidade, em que ele não ficava, era muito mais pacífica). Todo mundo era horrível pra ele. Aliás, se algum aluno reclamasse de você, o aluno tinha razão, e você não tinha voz. Uma aluna reclamou porque eu perguntei uma palavra que ela não tinha visto. A palavra era de uma aula à qual ela faltou, e ela não buscou repor a aula. Mas a culpa era minha.
Chefes assim precisam acabar.
Pode ser que eu cruze o caminho do Mauro novamente no futuro? Claro, tudo é possível. Mas submeter-me àquele tipo de tratamento, àquele abuso psicológico intenso? Nunca mais. Eu realmente torço para que ele tenha mudado, mas duvido imensamente, e um temperamento assim torna o ambiente todo tenso.
PS: lembro de quando ele criou a página no facebook da unidade, e abordava os alunos calmamente dizendo "EI! VOCÊ JÁ CURTIU NOSSA PÁGINA NO FACEBOOK?!?"
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