#29 - Love is in The Air, John Paul Young

 Geralmente eu só cito a música, mas eu sinceramente recomendo que você leia o post ouvindo esse clássico:

Tá.

Chegando época de final de ano, eu começo a SONHAR com praia, e aí pode ser pensando que estou de férias, descansando, ou relembrando acontecimentos.

Então fiquei pensando e decidi despejar aqui várias de minhas memórias de praia, por um simples motivo de que isso deve ser legal. Dividirei em capítulos pra facilitar.


1 - A VILA

Meus pais tinham uma casa em uma vila em um bairro simples na Praia Grande. Lá, fiz vários amigos como o Léo, Camila (prima do Léo) e Andréia (alguns anos depois). Praticamente crescemos juntos ali nos verões e inverno. No verão, a gente podia brincar até meia noite, porque os adultos todos estavam acordados, e o Léo me apresentou ao "Papai Noel Inteligente Da TV" (ele falava do Jô Soares). 

Léo tinha a casa mais chique. Pela decoração, poderia até ter uma lareira. Ele era um rapaz inteligente e, infelizmente, subestimado por muitos. Camila era a menina faceira, meio malandra. É possível, já que estávamos em uma vila, brincar que eram Quico e Chiquinha (eu não caberia num barril, mas DEIXA ISSO PRA LÁ, tá).

Eu parei de brincar com eles (Léo e Camila, segure as calças) porque rolou alguma treta alheia ou além de minha capacidade de compreensão. E aí eu fiquei basicamente sozinho.


2 - SOZINHO, O AMOR ESTAVA NO AR

Sozinho, eu tinha as tardes... de solidão. Íamos à praia, voltávamos, almoçávamos, e aí todo mundo dormia, e eu ficava lá, pela Vila... sozinho. Eu passei a desenhar muito, escrever muito. Quando surgiu lá um livro com os fundamentos de Jean Piaget, eu li. Pedagogia Avançada? Li também. E ganhei um radinho com fones de ouvido, então eu sempre sintonizava e ouvia músicas.

Por volta das 15h, a rádio com melhor sinal SEMPRE tocava "Love is in the Air", de John Paul Young (oh, que coincidência, não é mesmo?). Ficava vendo meus desenhos, observava pássaros, as ruas vazias (principalmente no inverno, e aquele já era um bairro meio vazio), ouvindo a mesma música. 

O engraçado é que muita coisa que eu criei ali eu ainda uso. Pra ter ideia, quando fui convidado pra um selo de recriação de DC, muita coisa tirei dali (como o Espectro ser O Sorriso do Diabo). Ajudava o fato de eu ter um acordo pra ter um dia nas férias na Gibiteca de Santos. 


3 - O RETORNO DA TURMA

Com o começo da adolescência, pude novamente ter o convívio do Léo e da Camila (ela bem menos, infelizmente), e surgiu a Andréia. Como é costumeiro em locais de veraneio, perdi o contato com a Andréia quando o avô dela, dono da casa, faleceu. Andréia era a menina inteligente, sagaz, que complementava o quarteto perfeitamente.

Léo e eu andávamos muito de bicicleta pelas redondezas. Aliás, por ali há uma ruela longuíssima e sem garagens, ou seja, uma perfeita pista de corrida para dois moleques incautos.

Mas aí veio divórcio dos pais do Léo, Camila sumiu de vez... e surgiu o videogame.


4 - PERA, VIDEOGAME? QUE

Sim. Uma nova família mudou-se para a casa do outro lado da rua, e havia um menino que tinha videogame (MegaDrive, o melhor de todos). Como eu já sabia jogar, ficamos amigos, e logo surgiram outros, e tínhamos ali uma turma que até saía pra dar voltas e tal. Foi nessa fase que rolou o verão de 1998, em que tivemos dias de 42 graus. Eu literalmente senti meu chinelo grudando no asfalto.

Uma locadora surgiu a duas ruas dali, então fomos jogar MK Mythologies: Sub-Zero (sim, ainda acho uma pena essa série não ter continuado como era, com plataformas, porque era coisa linda - e difícil). 

Foi também nessa época que o prédio ao lado da casa do rapaz tinha uma mocinha muito da bonita.

Enfim, você podia fazer uma lista de clichês de adolescência em férias de verão e batia quase tudo ali, até quando a turma se juntava pra comer pizza de queijo dali perto (que custava só R$5!). 


Aí a gente cresce, pessoal some, vida segue, e ficam as memórias. Começando a trabalhar, parei de poder ficar na cidade por um mês inteiro - hoje em dia, agradeço se consigo algo mais que dois dias. 

Já aconteceu de encontrar colega de escola lá por perto, e é estranho. É algo tipo "você é de outro universo, dude!".

Estas aventuras e memórias são todas em Praia Grande. É bom lembrar.

Imagina quando eu contar o que já aprontei em Santos..!

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