#71 - 'you know my name', Chris Cornell



 (Peguei essa imagem da grande Ana Luiza Koehler. Pesquise. Ame. Compre os álbuns dela.)

Perspectiva é um negócio engraçado. Para quem está no começo da avenida, a torre do final está longe. Para quem está perto da torre, todo o resto está longe. É muito fácil acontecer de alguém subestimar uma visão, posição ou mesmo experiência por simplesmente ignorar a perspectiva.

Quando houve a mania do Draw My Life, e povo fazendo vídeos em que contaram suas histórias de vida, vi muitos criadores contando como eram crianças que criavam problemas, ou perderam os pais na queda de um dirigível ou sobreviveram a algo horrível... Eu via isso e pensava como, no geral, eu fui uma criança normal com uma infância pacata.

Meus pais discordariam.

Quando eu era criança, havia uma banca de jornais na rua de cima da minha casa. Era frequente que eu pedisse dinheiro para os meus pais para comprar alguma revista, até porque eu não recebia mesada (preciso contar como resolvi isso).

Certo dia, meu pai se enfezou e disse que eu gastava muito, e que precisava entender o valor, então ele não me daria dinheiro por uma semana. Sem problema, eu disse.

No dia seguinte, fui perto do banco e trabalhei um dia como flanelinha. Mantinha distância, buscava ser cordial e orientava as pessoas. Ao final do dia, peguei o bolo de dinheiro que ganhei e coloquei na mesa, e meu pai percebeu a péssima ideia que é estreitar as opções pro Vinícius com a ideia de que Vinícius não tem opção alguma.

Eu tinha oito anos.

Meu pai nunca mais me recusou dinheiro pra leitura.

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